BYD lidera infraestrutura de recarga no Brasil e acelera corrida por eletromobilidade com 125 carregadores rápidos

INFRAESTRUTURA

By Agência Cenário Energia

3/24/20264 min read

BYD Recharge
BYD Recharge

Expansão da rede pública acompanha avanço dos veículos elétricos e antecipa chegada de tecnologia ultrarrápida, com impacto direto no setor elétrico e na demanda por energia

A consolidação da mobilidade elétrica no Brasil avança em ritmo acelerado, impulsionada pela expansão da infraestrutura de recarga. A BYD atingiu a marca de 125 carregadores rápidos públicos em operação no país, configurando a maior rede do tipo em território nacional e reforçando o papel da eletromobilidade como vetor de transformação para o setor elétrico.

Distribuídos em concessionárias e pontos estratégicos nas cinco regiões, os equipamentos ampliam o alcance da recarga rápida e reduzem uma das principais barreiras à adoção de veículos elétricos: a disponibilidade de infraestrutura. A companhia projeta chegar a 225 pontos até o fim de 2026, consolidando uma malha nacional mais robusta e capilarizada.

Capilaridade da rede e interiorização da eletromobilidade

A expansão da BYD já alcança estados-chave como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Bahia, além do Distrito Federal, com avanço recente para cidades fora dos grandes centros.

Municípios como Duque de Caxias (RJ), Altamira (PA), Cacoal (RO), Pelotas (RS) e regiões do Triângulo Mineiro passam a integrar o mapa da recarga rápida, sinalizando um movimento relevante de interiorização da infraestrutura, aspecto crítico para viabilizar o uso de veículos elétricos em rotas intermunicipais e de longa distância.

Recarga rápida e integração digital

A rede é composta exclusivamente por carregadores do tipo DC, com potência entre 60 kW e 120 kW, padrão que permite recargas significativamente mais rápidas em comparação aos modelos residenciais.

Integrados ao aplicativo BYD Recharge, os eletropostos oferecem funcionalidades como geolocalização, monitoramento em tempo real e gestão do consumo energético. Em média, cada sessão entrega cerca de 20 kWh em aproximadamente 30 minutos, com custo médio de R$ 2,38 por kWh e tíquete médio de R$ 49.

O modelo adotado pela companhia também amplia a interoperabilidade, permitindo o uso por veículos de diferentes marcas, o que contribui para a formação de um ecossistema mais aberto e competitivo.

Crescimento da demanda e impacto no setor elétrico

A evolução da infraestrutura acompanha o avanço consistente da frota eletrificada no Brasil. Dados operacionais da BYD indicam que o aplicativo de recarga registrou cerca de 21 mil sessões em 2024, com crescimento contínuo ao longo de 2025.

O número de usuários saltou de 59,9 mil em junho de 2025 para 166 mil em março de 2026, expansão de aproximadamente 177%. Apenas entre dezembro de 2025 e março de 2026, o avanço foi de 57%, evidenciando a aceleração do uso da infraestrutura.

Esse movimento tem implicações diretas para o setor elétrico, especialmente na gestão da demanda, na necessidade de reforço das redes de distribuição e na integração com soluções de armazenamento e geração distribuída.

Estratégia mira eliminar gargalos da adoção

A visão estratégica da companhia está centrada na equivalência entre a experiência de recarga e o abastecimento tradicional, um dos principais entraves à massificação da mobilidade elétrica.

“Estamos trabalhando para tornar a recarga tão rápida e conveniente quanto o abastecimento tradicional em postos de combustíveis, eliminando uma das principais travas para a adoção dos veículos eletrificados em escala ainda mais representativa no país. Ao expandir nossa rede e trazer novas soluções, avançamos na construção de um ecossistema mais eficiente, acessível e alinhado às demandas energéticas e ambientais do mercado”, destacou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior e Head Comercial e de Marketing da BYD.

A declaração reforça o papel da infraestrutura como elemento central na curva de adoção da eletromobilidade.

Próxima fronteira: carregamento ultrarrápido

Paralelamente à expansão da rede atual, a BYD avança na implementação da tecnologia de carregamento ultrarrápido, que promete redefinir a experiência do usuário.

Globalmente, a empresa já demonstra soluções capazes de elevar a carga de 10% a 70% em cerca de cinco minutos e atingir 97% em menos de dez minutos, patamar que aproxima a recarga elétrica do tempo de abastecimento convencional.

No Brasil, a expectativa é de que o primeiro carregador ultrarrápido seja instalado em Brasília ainda em 2026. A estratégia inclui a implantação de até 1.000 unidades até o fim de 2027, com suporte de sistemas de armazenamento de energia integrados.

“Já anunciamos o avanço para a tecnologia de carregamento ultrarrápido no Brasil e esse será nosso próximo passo transformacional no país. Embarcaremos tecnologia para que cada ponto instalado conte com sistemas de armazenamento de energia integrados, permitindo otimizar o uso da eletricidade sem comprometer a rede de abastecimento de energia. Isso viabilizará a operação em diferentes regiões e ampliará significativamente a cobertura e o acesso à mobilidade elétrica em solo nacional”, ressaltou Baldy.

A integração com sistemas de armazenamento indica uma tendência relevante para o setor elétrico, ao reduzir impactos na demanda de ponta e aumentar a flexibilidade operativa.

Benefícios ambientais e Infraestrutura como vetor da transição energética

Desde o início das operações, em março de 2024, a rede pública da BYD já forneceu mais de 7 mil MWh de energia, evitando a emissão de mais de 8,1 mil toneladas de CO₂. O resultado evidencia o potencial da mobilidade elétrica como ferramenta de descarbonização, especialmente quando associada a uma matriz elétrica majoritariamente renovável, como a brasileira.

A expansão da rede de recarga posiciona a BYD não apenas como fabricante de veículos, mas como agente relevante na integração entre mobilidade e sistema elétrico.

À medida que a eletromobilidade avança, a infraestrutura de recarga tende a assumir papel estratégico na gestão energética, exigindo planejamento coordenado entre distribuidoras, reguladores e agentes privados para garantir eficiência, confiabilidade e sustentabilidade.